Isso resume bem o que foi a apresentação do Iron Maiden ontem aqui em São Paulo. Os ingleses mais uma vez deixaram os fãs boquiabertos com o pique que eles tem e os efeitos pirotécnicos do show.
Em compensação a organização foi das piores... o lugar já não era muito bom: Autódromo de Interlagos, difícil acesso lá é pouco, com chuva pior ainda.
Falando em chuva, parecíamos estar numa rave amassando barro (nem pra colocarem uma proteção como nos estádios de futebol para não danificar a grama). E graças a mesma e a enorme quantidade de gente (a Polícia fala em 67 mil pessoas, Bruce fala em 100 mil) era 8 horas da noite, horário previsto para o início do show e ainda tinha gente pra fora do autódromo (inclusive conhecidos deste blogueiro).
Agora vamos propriamente ao show...
7 horas da noite entra a bela Lauren Harris, filha do baixista do Iron Maiden Steve Harris, com sua voz meio Avril Lavigne meio vocal de J-Rock para aquecer a platéia alucinada para ver seu papai e cia.
A moça bem que tentou levantar o público mas não adiantou muita coisa, eles (nós) queríamos mesmo era o Maiden. Ela corria de um lado para o outro, "bangueava", o guitarrista quebrava tudo nos solos mas chegou uma hora que ninguém aguentava mais aquilo.
Por volta das 8h05 min vêm alguém da produção acompanhado de Rod Smallwood, empresário da banda, falando que o Maiden pedia desculpas pelo atraso e que como nem todo mundo estava lá dentro ainda eles não começariam o show (bela atitude, em algum outro lugar da América eles começaram o show antes que todo mundo estivesse na platéia, o que pode ser um sinal de que eles gostam mesmo do Brasil).
Mais ou menos as 20h20min dois cidadãos pulam as placas de proteção da pista normal para o barranco ao lado e são seguidos por uma multidão, resultado: criação de um novo setor: a "Pista Premium Especial", culpa da má organização e da má vontade dos seguranças e da PM (isso merece um capítulo a parte mais pra baixo) que não fez nada para impedir que isso acontecesse.
Até certo ponto foi engraçado pois o show passou a ser o barranco sendo tomado por uma multidão e não Lauren Harris que ainda se apresentava - as atenções estavam presas no barranco e não na moça.
Pouco depois (quase uma hora) os telões, que apresentaram defeito graças a chuva, assim como parte dos fogos começaram a mostrar a chegada da banda ao Brasil e trechos dos shows em Manaus e no Rio.
As imagens vão se sucedendo e aos poucos o Discurso de Winston Churchill começa e o coro vai se formando nas pistas (que continuam tranquilas, pelo menos não houve nenhuma invasão).
Depois de Churchill vem a costumeira "Aces High" pra levantar o público cansado de esperar pelo Maiden depois de toda a desorganização e a falta de respeito a que foi submetido.
Uma das mudanças em relação ao set do ano passado: entra Wrathchild e o público vai ao delírio.
Depois vieram "2 minutes to Midnight" e um pedido de desculpas de Bruce Dickinson pelo atraso e pelos telões defeituosos e um parabéns pra galera que levou "Run to the Hills" a sério.
Daí pra frente foi só porrada: "Children of the Damned", "Phantom of the Opera", "The Trooper", "Wasted Years" (que foi de arrepiar), "Rime of the Ancient Mariner" com um cenário absurdamente lindo acompanhado por um coro de 63 mil vozes (eu, particularmente acho que tinha bem mais do que 63 mil pessoas em Interlagos naquela noite), "Powerslave", Run to the Hills", "Fear of The Dark", "Hallowed Be Thy Name" (a mais aguardada por este blogueiro que vos escreve) e "Iron Maiden", que levaram definitivamente o público, e talvez os músicos, ao delírio.
E merece destaque a animação e o preparo físico dos cinquentões do Maiden: Bruce Dickinson, Steve Harris e principalmente Janick Gers não paravam de correr de um lado para o outro.
Gers parecia insandecido correndo de um lado pro outro jogando sua guitarra pro alto, tocando-a nas costas, no meio das pernas enquanto a dupla Adrian Smith/Dave Murray arregaçava nos solos.
Antes da paradinha, em "Iron Maiden" teve um Eddie múmia saindo de dentro de um sarcófago no cenário de "Powerslave" e soltando fogos dos olhos e depois teve "The Number of the Beast", cuja introdução foi cantada pelo público, e o Eddie versão cyborg brincando com os membros da banda em meio a labaredas enormes.
A tristeza começa a pairar, todo mundo sabe que o show está chegando ao fim e ele termina em grande estilo! "The Evil That Men Do" e "Sanctuary" pra terminar extremamente bem essa apresentação memorável, desconsiderando a desorganização, claro.
Some a isso mais ou menos 1 hora e meia para conseguir sair do autódromo e era uma vez mais um show do Iron Maiden aqui em São Paulo.
E uma boa notícia: ano que vem eles lançam mais um CD e em 2011 voltam ao Brasil para divulgá-lo, esperamos (eu e todos os fãs brasileiros da banda) que não seja em Interlagos de novo e que quem os traga não seja quem os trouxe da última vez...
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